1 de fevereiro de 2010

pelo novo

pelos novos dias que virão. pelos encontros. pelo previsível. pela solidão. esse ano vem com tudo, turbilhões de todos os lados... vontades, necessidades, confusão... um redemoinho de idéias me faz continuar sem saber de nada, me faz querer mais... eu olho pra frente e vejo um imenso colorido, um sol misturado com uma leve chuva junto com a lua cheia me olham e me fazem ir em frente... e em frente eu vou, sem saber muito por onde, ou porquê, sem saber com quem, nem quando nem onde... eu vou... e tudo parece dar certo... e dará...


22 de novembro de 2009

para bê


"Um dia a minha pequenina se perdeu, na beira da praia, uma imensidão de areia bem branquinha, e uma multidão de gente, sol ofuscante, calor horrível! Que susto! Mas ela era assim, a minha menininha, ia atrás da pipa, que voava , ia atrás do sonho, e daquilo que queria muiiiito! E ela cresceu, é uma moça, e até hoje é assim, e isso é o que mais admiro nela! Só que, às vezes, acho que a perdi de novo, ela vai se esfumaçando, ficando quase invisível, e eu a vendo de longe, se afastando, quase sumindo, como naquela vez, na praia... Quando isso acontece, me dá um medo enoooorme, e aquela angústia, igualzinha àquela que me deu naquele dia, há tantos verões atrás... Porque ela ainda é assim, escapa pelas minhas mãos, imagem ofuscante, sem foco, que vai se esvanecendo... Atrás da pipa , do vendedor de pipas, do sonho...Depois volta, linda, alegre, e me abraça!!! E tudo fica feliz de novo! te amo, mão"

- tão bom um recado de mãe, uma lembrança bonita... ela que sabe, ela que me entende.

16 de novembro de 2009

ao Zé, e ao Mário

Hoje me despedi de um amigo. E não foi um "tchau. até logo... espero que tu seja muito feliz", foi algo tipo "tchau... que pena... vai fazer falta por aqui...".
É incrível como a morte sempre nos surpreende, mesmo sendo a única certeza que temos na vida. Ele me pedia um cd com as fotos que eu tirei, para montar um portfolio, sabe? Quem pensa no futuro acaba querendo fazer isso um dia... Ele me convidou trezentas vezes para ir ver a peça dele, colocou meu nome na lista e tudo... E eu não fui. Nós não tomamos o café que estávamos programando a meses, nem a caipirinha na beira da praia. O tempo foi passando, os compromisso se acumulando e a promessa de um encontro talvez quem sabe um dia foi se estendendo.
Foram sequencias de desencontros... até hoje. Hoje eu reencontrei ele. Hoje eu entreguei o cd. Milhões de fotos pra ele se divertir olhando lá em cima. Cheguei atrasada no enterro, exatos vinte minutos, as pessoas já estavam indo embora... e foi melhor assim. Não sei se eu aguentaria um sermão de padre e uma choradeira. Já bastam as minhas lágrimas.
Enterrar uma pessoa querida é um exercício solitário e simbólico. Eu sabia que ele não tava ali dentro... o Zé Mario amado tava em qualquer outro lugar do mundo menos naquele caixão. Provavelmente ele estaria apresentando uma peça infantil pra 150 crianças na Etiópia, olhando aqueles rostinhos lindos sorrindo. Sim... estaria... que bom.
O que me consola é pensar que um dia agente descansa. O corpo descansa, mas aquele ser lindo e maravilhoso que eu e muitas outras pessoas sortudas conhecemos vai continuar por aqui, sempre, ele faz parte de nós, faz parte da nossa arte e da nossa vida. O cheiro de primavera, que vai deixando as ruas de Porto Alegre coloridas e que traz um calor que tem gostinho de verão me faz lembrar de Capão, beira da praia, caipirinhas e fotos de um jovem homem grande que topava todas e nunca deixava ninguém na mão. É uma pena não te ter mais por aqui.

muito obrigada zé, pelo ontem, pelo hoje e pelo sempre.

15 de novembro de 2009

vou sair ventando pelas janelas como um guarda-chuva agarrado pelo vento e vou flutuar em cima da cidade...

5 de novembro de 2009

me sinto sem palavras.

a boca seca. a garganta grita e o som não sai. talvez uma cerveja e um cigarro me salvassem. ou não. talvez tu me salvasse. ou tu. ou sim. ou não. quem sabe?

26 de outubro de 2009

morena
dos olhos d'água
tira os seus olhos do mar
vem ver que a vida ainda vale
o sorriso que eu tenho pra lhe dar
lágrimas nos olhos de cortar cebola.