21 de outubro de 2011

entre o sim, o não, talvez, quem sabe

turbilhão. carregava a mala pesada nas costas, cheia, quase explodindo... o rosto vermelho do sol, os olhos caídos de cansaço. estava cansada das novidades, dos desencontros, das mudanças de planos. estava cansada de sempre perder o controle sobre tudo. nada saía como o planejado, mesmo que já estivesse careca de saber que não deveria ter planos... os planos só serviam para frustrá-la... insistia em criá-los em sua cabeça, mesmo que inconscientemente, mesmo não querendo, precisava tentar controlar alguma coisa nesse emaranhado de descontroles que era sua vida. sabia que no final tudo daria certo, apesar de as vezes só se dar conta disso dias, semanas, meses depois... depois de chorar lágrimas infantis de crianças mimadas que não tem seus desejos atendidos... ou então depois de se dar conta que tudo está incrivelmente bem, e de tão bem que está fica difícil acreditar... se assusta com o destino e com o rumo que as coisas estão levando, e com o quanto tudo se encaixa e tudo faz sentido. tem medo, medo do caminho maravilhoso que anda traçando, medo de não dar conta de tanta coisa boa... medo de não merecer tudo isso... queria matá-la, estrangulá-la, comê-la de colher em uma mesa de vidro redonda, servida em um prato fundo com um molho de tomates secos e gorgonzola. ao som de billie holiday, à luz de velas, bebendo-á em curtos goles de algum whisky nacional vagabundo. vagabundo como o seu hálito de salmão crú, de morangos mofados ou alguma outra recordação que não vale à pena recordar. queria carregar a charlotte no colo, viver aventuras em são paulo e depois se despedir em grande estilo na beira do mar em garopaba, pelada, olhando o dia nascer... tomar um chimarrão, sentir o vento no rosto... nada disso seria como foi se tivesse de fato sido e talvez também fosse tudo o que devesse ser. anda confusa, trocando palavras e sentimentos. anda querendo demais, tudo ao mesmo tempo, junto reunido. sem rumo, sem cidade, sem família e sem amor. e ao mesmo tempo com tudo isso triplicado, demais da conta, intenso e pulsante lhe cortando o ar. queria pular do décimo primeiro andar de algum arranha céu perdido. queria, queria, queria. mas agora se preocupa em tirar a pizza do forno e olhar a árvore verde da janela. não pode perder nenhum segundo, é tudo lindo maravilhoso, apesar de...

3 de outubro de 2011

digo e desdigo tudo que foi dito


já sinto. já sinto o nó na garganta com todas as frases e títulos e subtítulos que eu gostaria de te dizer. já sinto a lágrima escorrendo do teu olho esquerdo lendo nas entrelinhas de cada palavra o significado daquilo que não pode ser dito. já sinto o ranger dos dentes de raiva. já sinto a respiração ofegante. já sinto a vontade de dizer "tá tudo bem" e querer tudo de novo. já sinto a insegurança chegando e dizendo "sua burra" e rindo pelas minhas costas. já sinto as meias palavras e as desculpas. as condenações. as cobranças. já sinto saudade. por tudo isso que irá acontecer e que talvez já tenho acontecido sem palavras, sem olhares e sem subtexto. já sinto por sentir de mais e talvez por sentires de menos quando pensaste que sentíamos como iguais. já sinto por repetir a mesma história, por te poupar das minhas verdades e por continuar andando em círculos. talvez eu deva ir mesmo. talvez não seja o destino e sim o caminho que deveria ser desde sempre. sem romances. talvez a estrada seja reta e tu tenha sido somente uma flor amarela na contra-mão. talvez tudo faça sentido um dia e estejamos felizes tomando um chimarrão e olhando o pôr do sol. eu com os cabelos compridos (porque eles hão de crescer), um pouco abaixo dos ombros, os cachos bem loiros e nenhuma maquiagem no rosto... depois de um tempo a cara limpa nos cai bem. mas não te vejo, não te leio, não te compreendo. como hoje e como sempre. serás sempre uma incógnita nos meus livros. como um vulto negro preso no fundo da memória. estarás viva e bem, realizada eu arriscaria dizer. porém com o mesmo olhar perdido e confuso de hoje. e eu continuarei com o mesmo olhar bobo e ingênuo que me embeleza e me destrói tão facilmente. poderia usar óculos escuros. sempre. de dia, de noite, dentro e fora dos lugares. principalmente quando te encontrasse. talvez assim eu não me entregasse tão fácil. talvez quem sabe sejamos nada mais nada menos que passagem e tudo isso que pareceu tão grande seja no fundo pequeno e insignificante. pensamento pessimista, eu sei. mas ultimamente ando querendo ser mais realista. não se pode viver de amor. amor? que palavra boba tantas vezes sentida, poucas vezes falada e raríssimas vezes ouvida. eu queria ter te dito eu te amo naquele dia em que bebíamos um vinho em baixo da chuva. os eu te amo mais sinceros são os ditos em dia de chuva, de tempestade, depois de lágrimas de alegria e arrepios sentidos apenas com um olhar. eu teria te dito eu te amo no dia em que tu não me ligou de volta. ou então no dia em que tu reclamava dos problemas, do tempo, da vida. mas me calei, os momentos não convinham. sim. eu teria dito eu te amo tantas e tantas vezes. mas eu quis te poupar do meu amor. dessa coisa sufocante e dominadora que se apodera de mim. e hoje nem sei se te amo e se te amei. eu fui uma egoísta completa e te usei pelo bel prazer de amar. assim como se ama a um objeto sabe? idealiza-se algo e cultiva-se ele, até o dia em que nos damos conta que nada é como pensávamos e não temos mais coragem de viver sem ele. talvez coragem não seja a palavra. vontade, quem sabe? vontade de dizer tudo e sair voando por esse mundo afora. vontade de poder crer que tudo é lindo e maravilhoso e viver no meu mundo encantado de contos de fada. vontade de parar de tomar tapas na cara. de poder sentar na poltrona tranquila e de ter orgulho de tudo o que me contorna... vontade de rir, sorrir, gargalhar. uma amiga me disse esses dias, entre cervejas e baseados, atirada na cama com o violão no peito e os olhos molhados e brilhantes: "todos os sorrisos pra ti, dos mais bregas os mais lindos"... valeu mais do que mil eu te amo. falávamos da vida e brindávamos o futuro. eu brindo aos sorrisos que virão, em português, inglês, francês e espanhol. eu brindo aos amores, os que ficaram, os que estão e os que virão. brindo aos eu te amo não ditos e aos finais não anunciados. mas brindo unicamente ao amor e digo e desdigo tudo que foi dito porque nunca fui mulher de ponto final. se pode viver sim de amor e o amor não é tão pouco que possa ser julgado ou analisado em um blog meia boca de uma pequena moça que aos poucos vai aprendendo a caminhar. salto e tiro os pés do chão, sem me dar conta que entre caminhar e voar existe uma enorme diferença...