20 de fevereiro de 2011

sobre la distancia y el silencio

como um bom barco no mar, eu vou, eu vou... ela me disse como quem não quer nada que a vida é assim mesmo, os amores vem e vão, como as ondas do mar. a água bate, molha, refresca, alivia... relaxa o corpo cansado das dúvidas... ando como que guiada por uma onda tranquila e raivosa. penso no que quero, falo, faço, mudo de idéia. ela me pegou pelos cabelos, me levou pro quarto e me fez falar do tempo. o homem das botas vermelhas deixou suas pegadas por aqui, ela nota. me pergunta quem era, o que faz, o que fez. me faz falar da familia, da vida, dos fracassos, dos planos. os planos... que planos? nesse vai e vem de coisas ela vai me levando como uma brisa boa e a vontade é de parar um pouco e ficar aqui pensando. pessoas intensas, corações feridos, energias boas. melancolias em uma noite de música como as que tanto gosto e tanto faço. vozes femininas me encantam, ainda mais em espanhol. queria bibiana morena aqui agora ouvindo o que eu ouço e sentindo o que eu sinto... se emocionando com a menina que chora cantando letras lindas com uma voz fina, na sala colorida e feminina do hostel de san telmo. sensibilidade a flor da pele. amores colocados em prova. lembranças boas do que existiu e se foi. os dias vão passando, ensolarados... as noites vem para amenizar as energias, para se esbaldar, se cansar, suar... perco a noção do tempo... sem relógio, sem celular. sem compromissos, sem cobranças... silêncio, paz. é como se voasse livre por cima de um oceano imenso e azul... como quem olha de cima com os olhos de quem parece prescrutar todos os mistérios da vida... profundos e serenos... como os olhos da consciência... e ninguém os aguenta por muito tempo... no tengo medo es la verdad, y lo que sucederá... podría perderme en esta felicidad...

18 de fevereiro de 2011

seguindo o fluxo


pés descalços e as mãos livres para brincar com o vento... cabelos crespos que vem e vão no rosto... fazer e não fazer, tudo e nada, cheio e vazio, aqui e agora, total. os dias por aqui tem sido interessantes. por um tempo estive só e eu era a minha única companhia. confesso que estamos nos dando bem. ela me entende, me diz o que fazer, me deprime e me irrita as vezes, mas normalmente nos completamos. tenho sido uma boa companhia. acho que era como se fosse um tempo de adaptação, foi necessário e importante. mas acabou. não me sinto só, não me encontro só. ontem virei uma guia turistica de um brasileiro querido que caiu de paraquedas aqui no hostel - é incrivel como eu sempre acabo virando "anjo" das pessoas - mas na realidade ele foi como um anjo pra mim, porque quando eu e ela já não estávamos mais nos aguentando ele chegou e nos fez ter calma e apreciar os dias com os olhos livres de alguém que esta indo, que esta sendo, como levado pelo mar. e depois do dia ensolarado de ontem, hoje temos um dia cinza e chuvoso por aqui, uma delícia. por hora escrevo só isso, não me sinto muito inspirada. tenho fome e não consigo parar de pensar em sushi. um brinde aos dias que passam e aos amores que ficam. me sinto apaixonada por buenos aires. pelas ruas, pelos cantos, pelas pessoas, pelas árvores e pelo tempo que me faz ver o quanto tudo isso é necessário, preciso e bonito. tempo, tempo, tempo...

15 de fevereiro de 2011

limón y sal

"Yo te quiero con limón y sal, yo te quiero tal y como estás, no hace falta cambiarte nada. Yo te quiero si vienes o si vas, si subes y si bajas y no estás, seguro de lo que sientes."

limón y sal -
julieta venegas

14 de fevereiro de 2011

colorido dia cinza


numa manhã chuvosa e cinza ela pegou as suas coisas e partiu. não partiu sem dizer nada, não partiu sem se despedir. por mais que já tivesse passado por isso algumas vezes ela não conseguiria simplesmente ir. seria uma maldade com quem fica, pensa ela. mas ela foi, com o silêncio e a solidão nas costas. na mala levou coragem, vontade, gana e esperança... esperanças que as vezes se vão e parecem nunca mais voltar, mas que voltam. graças a deus elas sempre voltam. levou também, nos bolsos - entre os chicletes e as moedas - uma mágoa pequena - porém forte - daquilo que insiste em se repetir, dos amores e desamores que vem e que vão e que incrivelmente tem uma ligação muito forte com o passado e com os temores que ficaram. ela chegou cansada no seu quarto laranja com verde. uma linda janela com vista pra uma grande árvore lhe recebeu de braços abertos. ela sorriu e pensou "é tão bom estar aqui. é tão bom estar só aqui. é tão bom estar só." ela saiu do dia cinza e entrou no céu azul ensolarado. aqui as pessoas tomam banho de sol nas praças no domingo, levam os cães para passear, brincam com as crianças, tomam sorvete. sim, exatamente como lá. igualzinho. pela noite encontrou amigas e conversou sobre signos, astrologia e relacionementos. sim, exatamente como lá. porém agora as conversas eram em espanhol. algumas coisas ela não entendia e as vezes sentia uma vontade imensa de falar tudo em português bem rápido. é como se tudo isso tivesse um significado que ela já sabe, no fundo ela sabe de tudo... só fica tentando se encontrar aos poucos, entre as ruas e árvores dos cantos por onde passa. numa incansável busca por algo/alguém que lhe complete... pois ontem ela descobriu que tem marte em escorpião e que o que predomina no seu mapa é a casa 7. sim, muitos planetas na casa 7... e por mais que ela queira e goste de estar só... no fundo, no fundo, pessoas com predominância na casa 7 precisam estar sempre apaixonadas. e ela já sabia disso.

8 de fevereiro de 2011

desconstruções amorosas

o que me faz sofrer é pensar que o que encheria qualquer mulher de felicidade, ou seja, ter o teu maravilhoso amor, o teu amor generoso, bom, apaixonado... e todas essas coisas lindas que você me diz... tudo isso me causa ansiedade e me leva ao desespero. quanto mais eu penso em me entregar totalmente a você mais temor eu tenho do que seria de mim se esse teu amor ardente se apagasse...

você vai chegar, vai entrar e vai quebrar o realismo. quando você entra muda tudo. a casa vai ficar diferente. as cadeiras vão se mover, as mesas vão rodar, rodar e rodar... e eu vou perder o controle da minha solidão. sozinha eu me seguro. mas você chega e eu danço. você sabe de mil truques pra me jogar do abismo. você é um ponto de interrogação. uma janela aberta pro ar.

mais um pouco de "eu sei que vou te amar" de arnaldo jabor.

7 de fevereiro de 2011

que mistério tem clarice?

engraçado... clarice lispector nunca me foi um nome estranho. cresci lendo o nome dela pela minha casa... clarice foi cúmplice da minha mãe por muito tempo, uma amiga. clarice conheceu uma mãe que até hoje eu tento encontrar, re-encontrar... uma menina livre, jovem, que tinha vontade de voar... incrivelmente parecida comigo, com os olhos pequenos e puxados, as bochechas rosas e grandes, e um sorriso contagiante... lendo a biografia da clarice hoje em dia é como se eu estivesse lendo a biografia de uma mãe que eu nunca conheci e que sempre esteve do meu lado... é como se eu tentasse me entender, me aproximar... e cada vez mais me apaixono pelas duas... pela menina de olhos brilhantes que sempre se sentiu uma estrangeira nos lugares onde viveu e pela mãe guerreira e forte que carregou muita gente nas costas e acabou perdendo o brilho e o gosto pelas coisas pequenas da vida... e inevitavelmente eu me sinto muito parecida com ela... e tenho medo... medo do futuro, dos anos que passam, das mágoas que ficam... tento desvendar os mistérios das clarices...

"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..."

que mistério tem clarice... pra guardar-se assim tão firme, no coração...

4 de fevereiro de 2011

amplificando gotas

chove na serra... e sinto no ar um cheiro de márcia com canela. hoje teremos sapos no jantar. seu jardim de borboletas brancas sente o frescor da água fria e molhada que cai... cai... pinga... e desliza... ao som da música dos pássaros verdes que cantam agarrados aos galhos das araucárias, sentindo o gosto do vazio silêncioso da serra. ao embalo de clarice vou refletindo e sentindo as vibrações de um ano que começa com gana, com vontade de quero mais... dessa vez eu vou, dessa vez é pra valer. sim, tudo se resume no encontro entre aquilo que se procura e aquilo que se é. eu sou assim. finalmente eu sei. finalmente me entendo, compreendo, critico, aceito. sem arrependimentos. sem meias palavras e medos... só sendo. sentindo falta do que foi, do que poderia ter sido e do que nem teve chance de ser... assim eu vou, e assim espero que o que é bom aconteça e que o que não interessa fique... que vá... que voe com o vento pra bem longe... porque eu vôo alto, sempre gostei da vista lá de cima. e caio como as gotas de chuva que agora molham os meus pés... pense que eu cheguei de leve, machuquei você de leve e me retirei com pés de lã... sei que o seu caminho amanhã, será um caminho bom... mas não me leve...