20 de fevereiro de 2011
sobre la distancia y el silencio
18 de fevereiro de 2011
seguindo o fluxo
pés descalços e as mãos livres para brincar com o vento... cabelos crespos que vem e vão no rosto... fazer e não fazer, tudo e nada, cheio e vazio, aqui e agora, total. os dias por aqui tem sido interessantes. por um tempo estive só e eu era a minha única companhia. confesso que estamos nos dando bem. ela me entende, me diz o que fazer, me deprime e me irrita as vezes, mas normalmente nos completamos. tenho sido uma boa companhia. acho que era como se fosse um tempo de adaptação, foi necessário e importante. mas acabou. não me sinto só, não me encontro só. ontem virei uma guia turistica de um brasileiro querido que caiu de paraquedas aqui no hostel - é incrivel como eu sempre acabo virando "anjo" das pessoas - mas na realidade ele foi como um anjo pra mim, porque quando eu e ela já não estávamos mais nos aguentando ele chegou e nos fez ter calma e apreciar os dias com os olhos livres de alguém que esta indo, que esta sendo, como levado pelo mar. e depois do dia ensolarado de ontem, hoje temos um dia cinza e chuvoso por aqui, uma delícia. por hora escrevo só isso, não me sinto muito inspirada. tenho fome e não consigo parar de pensar em sushi. um brinde aos dias que passam e aos amores que ficam. me sinto apaixonada por buenos aires. pelas ruas, pelos cantos, pelas pessoas, pelas árvores e pelo tempo que me faz ver o quanto tudo isso é necessário, preciso e bonito. tempo, tempo, tempo...
15 de fevereiro de 2011
limón y sal
"Yo te quiero con limón y sal, yo te quiero tal y como estás, no hace falta cambiarte nada. Yo te quiero si vienes o si vas, si subes y si bajas y no estás, seguro de lo que sientes." limón y sal - julieta venegas
14 de fevereiro de 2011
colorido dia cinza
numa manhã chuvosa e cinza ela pegou as suas coisas e partiu. não partiu sem dizer nada, não partiu sem se despedir. por mais que já tivesse passado por isso algumas vezes ela não conseguiria simplesmente ir. seria uma maldade com quem fica, pensa ela. mas ela foi, com o silêncio e a solidão nas costas. na mala levou coragem, vontade, gana e esperança... esperanças que as vezes se vão e parecem nunca mais voltar, mas que voltam. graças a deus elas sempre voltam. levou também, nos bolsos - entre os chicletes e as moedas - uma mágoa pequena - porém forte - daquilo que insiste em se repetir, dos amores e desamores que vem e que vão e que incrivelmente tem uma ligação muito forte com o passado e com os temores que ficaram. ela chegou cansada no seu quarto laranja com verde. uma linda janela com vista pra uma grande árvore lhe recebeu de braços abertos. ela sorriu e pensou "é tão bom estar aqui. é tão bom estar só aqui. é tão bom estar só." ela saiu do dia cinza e entrou no céu azul ensolarado. aqui as pessoas tomam banho de sol nas praças no domingo, levam os cães para passear, brincam com as crianças, tomam sorvete. sim, exatamente como lá. igualzinho. pela noite encontrou amigas e conversou sobre signos, astrologia e relacionementos. sim, exatamente como lá. porém agora as conversas eram em espanhol. algumas coisas ela não entendia e as vezes sentia uma vontade imensa de falar tudo em português bem rápido. é como se tudo isso tivesse um significado que ela já sabe, no fundo ela sabe de tudo... só fica tentando se encontrar aos poucos, entre as ruas e árvores dos cantos por onde passa. numa incansável busca por algo/alguém que lhe complete... pois ontem ela descobriu que tem marte em escorpião e que o que predomina no seu mapa é a casa 7. sim, muitos planetas na casa 7... e por mais que ela queira e goste de estar só... no fundo, no fundo, pessoas com predominância na casa 7 precisam estar sempre apaixonadas. e ela já sabia disso.
8 de fevereiro de 2011
desconstruções amorosas
você vai chegar, vai entrar e vai quebrar o realismo. quando você entra muda tudo. a casa vai ficar diferente. as cadeiras vão se mover, as mesas vão rodar, rodar e rodar... e eu vou perder o controle da minha solidão. sozinha eu me seguro. mas você chega e eu danço. você sabe de mil truques pra me jogar do abismo. você é um ponto de interrogação. uma janela aberta pro ar.
mais um pouco de "eu sei que vou te amar" de arnaldo jabor.
7 de fevereiro de 2011
que mistério tem clarice?
engraçado... clarice lispector nunca me foi um nome estranho. cresci lendo o nome dela pela minha casa... clarice foi cúmplice da minha mãe por muito tempo, uma amiga. clarice conheceu uma mãe que até hoje eu tento encontrar, re-encontrar... uma menina livre, jovem, que tinha vontade de voar... incrivelmente parecida comigo, com os olhos pequenos e puxados, as bochechas rosas e grandes, e um sorriso contagiante... lendo a biografia da clarice hoje em dia é como se eu estivesse lendo a biografia de uma mãe que eu nunca conheci e que sempre esteve do meu lado... é como se eu tentasse me entender, me aproximar... e cada vez mais me apaixono pelas duas... pela menina de olhos brilhantes que sempre se sentiu uma estrangeira nos lugares onde viveu e pela mãe guerreira e forte que carregou muita gente nas costas e acabou perdendo o brilho e o gosto pelas coisas pequenas da vida... e inevitavelmente eu me sinto muito parecida com ela... e tenho medo... medo do futuro, dos anos que passam, das mágoas que ficam... tento desvendar os mistérios das clarices... "Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..."
que mistério tem clarice... pra guardar-se assim tão firme, no coração...
4 de fevereiro de 2011
amplificando gotas
Assinar:
Postagens (Atom)