27 de setembro de 2009

num domingo chuvoso de setembro

eu sou uma chata. eu me apaixono e quero o mundo. cuidado comigo. porque eu me entrego, me desespero, te amo e te odeio e te quero, com todas as forças de quem não tem mais forças pra suportar nada. me esvazio em ti e no fim fico assim seca, apagada. choro rios de lágrimas solitárias que ninguém vê, falo milhões de verdades fortes demais para serem ditas que ninguém ouve. fico sozinha, perdida nas minhas vontades que nem eu entendo. encontro outro amor e me entrego, e tudo é lindo e divino maravilhoso. a chuva para, a primavera chega, as ruas ficam coloridas, e tudo o que eu quero é te olhar nos olhos, te ver sorrir, ouvir tua voz, te tocar, e só. instantes de uma silenciosa beleza onde eu disfarço o que eu sinto e sem saber o porque finjo ser plena, feliz e satisfeita, esperando assim que tu note esse meu emaranhado de sentimentos confusos. tudo começa igual e tudo termina igual, as pessoas não me surpreendem mais. o inesperado se tornou algo raro e talvez seja por isso que eu leve os dias um após o outro, sem grandes ambições, satisfeita com aquilo que acontece. quando no fundo o que eu quero é mais, eu quero muito mais, eu quero o intenso e o profundo, quero sentir o vento no rosto e a vontade de seguir em frente, quero sair desse movimento elíptico sem fim e seguir numa linha reta infinita.

25 de setembro de 2009

ao Teatro Porcos com Asas
























"e aquela vez foi como nunca e sempre, vamos ali onde nada espera e encontramos tudo o que estavamos esperando"
Pablo Neruda

Os porcos chegaram com a sua energia contagiante e me envolveram naquela loucura sem fim. Eu olhava e não conseguia parar de fotografar. Tudo era uma boa imagem, os pequenos gestos, as danças, os olhares. Cada movimento daria uma boa fotografia, impossível resistir a tantos momentos. E foi assim que começou, congelei aquela alegria toda, aquela paixão pelo teatro que era contagiante e peguei pra mim, levei pra casa e olhei, olhei e olhei. Aqueles olhares profundos, meio personagem meio pessoa me encantavam. O prazer em estar no palco representando aquilo que se acredita saltava das fotos, era inevitável. Todos sempre lindos, mesmo com maquiagens, barrigudos e com bigodes. Mal sabem eles que não são as fotos que são bonitas, mas sim aqueles que estão nelas, aqueles que fizeram o momento e que me deram permissão de registrar ele. Me sinto honrada. Sou uma porca, eterna voyer e admiradora . Guardo na memória cada sorriso e com o meu olhar tento mostrar o que realmente são esses porcos tão maravilhosos.

"Quando chegar a Tar usará uma coroa dourada em sua cabeça. E terá as chaves que abrem todos os labirintos."


FANDO E LIS

dia 30 (quarta-feira que vem) última apresentação
as 22h no palco OX do bar Ocidente (o bar abre as 21:30h)
$10,00 com uma cerveja

Ficha técnica

Direção: Di Machado

Elenco:
Manoela Wunderlich
Isandria Fermiano
Martina Fröhlich
Vivi Schames
Di Machado

Trilha Sonora: Haroldo Paraguassu e Stéfanis Caiaffo

Exposição de fotos: Betânia Dutra

"Fando e Lis” é o espelho da relação entre um homem e uma mulher, refletindo todos os lados de uma relação amorosa, desde o mais puro amor até as doenças que este mesmo amor pode causar. Eles vão rumo a Tar, um lugar que ninguém chegou mas que todos tentam chegar. As tentativas de chegar a Tar sempre levam as personagens para o mesmo lugar, é lá que eles encontram os homens do guarda chuva, seres de eterna irresponsabilidade.

flickr: http://www.flickr.com/photos/fandoelis

Realização Teatro Porcos com Asas


22 de setembro de 2009


Teatro Porcos com Asas apresenta

FANDO E LIS


todas as quartas de setembro
no palco OX do bar Ocidente
$10 pilas c/ uma ceva
as 22h

a porcada me pegou de vez

13 de setembro de 2009

esse blog é a minha melhor terapia, e a idéia de que alguém possa ler isso me assusta. mas mesmo assim eu faço.

é bom sentir um frio na barriga de vez em quando. é bom ser transparente.

verdades e vontades

desde muito nova coisas estranhas me interessavam. adorava observar as pessoas com suas manias. o modo como andam, como falam, a voz, o sotaque... tudo. o ser-humano sempre foi algo extremamente interessante pra mim, quase que um objeto de estudo.
não sei se eu sou eu ou se sou uma grande mistura das carecterísticas que observei nos outros.
os outros... são tão diferentes, tão seguros e realizados. parece que a vida é simples e que todos estão no lugar em que deveriam estar. e eu a cada dia que passa sinto que aqui ainda não é o meu lugar. as pessoas com que eu ando e que amo tanto na realidade não tem nada a ver comigo. é um conflito de opiniões, de gostos, de conceitos. e no fim das contas, eu acabo sempre escutando, ouvindo o que eles pensam e me dando conta de que o que eu penso é totalmente diferente.
é uma solidão constante que me persegue.
queria alguém que me dissesse SIM. que me dissesse que o que eu penso faz sentido e que eu não sou um ser único e só nesse mundo. queria alguém com quem eu pudesse contar, sempre. alguém que me ligasse de manhã pra dizer bom dia, e perguntasse se tá tudo bem comigo, se eu dormi bem. alguém que fosse até a zona sul só pra me ver, dar uma volta na beira do rio e tomar um chimarrão quem sabe. alguém que cozinhasse pra mim, que se interessasse pelo o que eu faço da minha vida, por o que aconteceu no meu dia, desde as coisas mais banais. adoro falar de banalidades e de coisas sem importância que nem precisam ser ditas. gosto de contar o que eu faço e o que eu penso, gosto muito de ouvir também. queria alguém que me escutasse, que demonstrasse interesse e me fizesse sentir segura. queria alguém que quando me visse abrisse um sorriso e me desse um beijo na boca, que segurasse a minha mão na rua e me fizesse acreditar que tudo vai dar certo, que eu não preciso mais ser sozinha, que eu não preciso carregar o mundo nas costas. queria alguém que me dissesse "vem", vem morar comigo, vamos ser felizes juntas, casar e se amar pro resto da vida.
eu nunca ouvi isso, eu nunca ouvi coisas românticas, eu nunca ouvi um "eu te amo" verdadeiro e sincero. ninguém nunca me chamou de amor, nem me disse coisas melosas (que por mais que eu ache um saco sei que no fundo eu iria adorar). eu quero carinhos, eu quero ser amada, eu quero me sentir importante e indispensável para alguém.
tô cansada dessas relações frias, onde nada precisa ser dito, sem envolvimentos mais profundos, numa briga de cão e gato, um fugindo do sentimento do outro, como se fosse um crime gostar de alguém e demonstrar isso.
tô cansada desse vazio, dessa falta de perspectiva, dessa gente artista que só sabe viver os personagens e que quando se cansa deles joga fora sem mais nem menos. tô cansada do meu personagem, da minha falta de atitude e da falta de atitude do mundo. vontade de pegar essa grande bola preta e branca onde agente vive e sacudir loucamente, pra ver se acontece alguma coisa, pra ver se fica colorido.

1 de setembro de 2009

XX+YZ=?

as coisas foram acontecendo, o tempo foi passando, o frio foi substituido por uma forte onda de calor. dias abafados, sol forte, o suor escorrendo em seu rosto. dias de bom-fim, dias de teatro, dias de acordar cedo, passar manhã, tarde e noite fora de casa e dormir tarde.
ela não esperava nada, pelo contrário, tinha medo do nada, medo do vazio de quem não tem nada para fazer. o tempo ficou curto, os convites surgiram, os fins de semana acabaram. nada de festas, nem de passeios na redenção com os amigos, nada de cinema, nada de cervejinhas. ela não tinha mais tempo nem para os baseados que traziam o sono, antes de dormir. a insônia acabou, dormir tornou-se algo fácil e desejado e a manhã nunca foi tão bela como agora.
tudo o que ela desejava aconteceu, de uma maneira tão surreal e boa que as vezes ela mesma duvida de seus feitos. a falta de tempo não é um problema. ela não fica triste de não conseguir mais fazer festas, nem de não fumar o baseado do sono.
ela não se apaixonou mais, ela não escreveu mais, sentimentos e trabalho são coisas difíceis de serem interligadas. parece que quando temos um não podemos ter o outro. ela anda apaixonada pela arte, pelo ser humano e suas idéias incríveis, pela cidade a suas ruas. ela quer amar, mas o amor ultimamente tem trazido junto com ele uma série de problemas difíceis de resolver, difíceis de serem entendidos, meio sem sentido talvez, que machuca. ela ama as pessoas erradas, eles dizem que ela ama as pessoas erradas, e ela tem medo de amar de novo.
lido e relido no mínimo três vezes, houve épocas em que eu escrevia coisas mais interessantes, vontade de selecionar tudo e apertar o del, colocando no lixo todo esse monte de besteira onde eu não consegui falar nem metade do que eu pretendia. meus textos andam sem nexo, são muitas coisas emaranhadas aqui dentro, difícil de explicar, difícil, difícil.
desisto.