não sei de onde, ele entrou, e ficou voando lá dentro procurando uma saída. todas as janelas estavam fechadas, ele voava e voava e se batia e voltava e se batia de novo. cansou. pousou no chão, respirou, descobriu que lá dentro não tinha ar. voou de novo em direção ao mundo, um vidro, uma coisa transparente e inútil o impedia de sair, o impedia de respirar. ele não desistiu, se bateu durante horas, ia de um lado pro outro, e cada vez mais forte. voava e voava e se batia, piava, cada vez mais alto, voando e se batendo e de novo e de novo.
foi quando, de repente, todos os vidros sumiram, o vento entrou, e ele, finalmente, pôde respirar.
30 de novembro de 2008
25 de novembro de 2008
Estação Malcon
ninguém enche até a boca um copo com vodca. ninguém bebe com golinhos curtos um copo com água. ele estava sentado em uma mesa sozinho, só ele e o copo (quase uma taça). ele tomava três pequenos goles por vez, com a mão direita, levantando o dedo minguinho. depois de beber um copo inteiro ele se levantou e pegou outro, ainda mais cheio. quando o líquido chegou na metade, ele começou a falar sozinho. estranha mania que as pessoas tem de falar sozinhas, e elas me perseguem. ele não conseguia concluir a frase, tirou os óculos e bebeu mais três golinhos.
que horas será que são?
16:20; 9:30; 8:20 em Roma e 3:15 no Cairo. têm muitos relógios nesse lugar.
e aqui, em porto alegre, são apenas 17:17.
o copo acabou, ele se levantou e foi embora. ela ficou sentada, sozinha, vendo o seu personagem ir, sem saber mais nada sobre ele. o copo dela acabou. era de plástico, cheio de água, quatro goles bastaram para que ficasse vazio. lá fora fazia muito calor.
sair ou não sair?
aquele lugar cheio de estranhas pessoas solitárias a fazia se sentir confortável. lá dentro fazia frio.
e ela queria o calor.
que horas será que são?
16:20; 9:30; 8:20 em Roma e 3:15 no Cairo. têm muitos relógios nesse lugar.
e aqui, em porto alegre, são apenas 17:17.
o copo acabou, ele se levantou e foi embora. ela ficou sentada, sozinha, vendo o seu personagem ir, sem saber mais nada sobre ele. o copo dela acabou. era de plástico, cheio de água, quatro goles bastaram para que ficasse vazio. lá fora fazia muito calor.
sair ou não sair?
aquele lugar cheio de estranhas pessoas solitárias a fazia se sentir confortável. lá dentro fazia frio.
e ela queria o calor.
23 de novembro de 2008
14 de novembro de 2008
ando com um certo desprezo pelas pessoas, sabe. pessoas que eu gostava muito, agora me dão nojo. não sei se sou eu, se é a lua, ou se é o meu inferno astral. não importa. a minha intuição nunca falha, infelizmente.
provavelmente, a culpa é do fim do ano. vontade de inovar, vontade de genta nova, vontade de respirar outros ares. porto alegre anda me deixando claustofóbica, minha casa me deixa claustofóbica, a faculdade me deixa claustofóbica e os amados botecos de sempre me deixam claustofóbica.
papo de velho, mas os tempos não são mais os mesmos.
ou, talvez, seja eu.
provavelmente, a culpa é do fim do ano. vontade de inovar, vontade de genta nova, vontade de respirar outros ares. porto alegre anda me deixando claustofóbica, minha casa me deixa claustofóbica, a faculdade me deixa claustofóbica e os amados botecos de sempre me deixam claustofóbica.
papo de velho, mas os tempos não são mais os mesmos.
ou, talvez, seja eu.
9 de novembro de 2008
4 de novembro de 2008
mentiras sinceras
eu não preciso de palavras bonitas, de flores, presentes ou sei lá mais o quê.
na verdade, eu não preciso de nada.
só de alguém onde eu possa descarregar tudo de bom que eu tenho aqui dentro, só isso.
e não exijo nada em troca.
de repente, só um pouquinho de carinho e
uma companhia nas minhas noites vazias e
palavras ao ouvido, assim, sussurradas, também seria bom,
beijos, abraços, toques, hum, pode ser
e, se, por fim, quiser descarregar coisas boas em mim também,
juro que adoraria.
uma companhia nas minhas noites vazias e
palavras ao ouvido, assim, sussurradas, também seria bom,
beijos, abraços, toques, hum, pode ser
e, se, por fim, quiser descarregar coisas boas em mim também,
juro que adoraria.
exijo sim, exijo muito.
exijo o tudo e o nada, amplificados
e com gosto de morangos com açucar.
suculentos e amargos.
fazer o quê, se eu sou uma baita mentirosa?
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