26 de junho de 2008

final?

coisa difícil escrever o final de uma história, sempre tenho dificuldades nessas horas.
então, pensei: que tal desse vez fazer diferente, algo tipo anti-estrutura, minimalista, SEM FIM?


nada se resolve, nada muda, tem um início e um meio, e um meio, e um meio, e um meio...


quem precisa de um terceiro ato, não?

22 de junho de 2008


abriram o peito e retiraram:

os ossos,
a carne,
os músculos,
as veias,
as artérias,
e por fim, o coração.


não sei como o sorriso permanece...

12 de junho de 2008


um homem conversa com uma mulher em um canto escuro. ele fala baixo, sussurrando no ouvido dela. ela não ri, não fala, não faz nada. ele chega mais perto, dá um beijo no ouvido dela, passa as mãos nos seus braços, seu pescoço, seu rosto, sua boca. ela continua imóvel. todos param de falar, silêncio, só se escuta uma respiração ofegante, bem baixinho. ele vira o rosto dela, a olha nos olhos, ela pisca, fecha os olhos, o som da respiração aumenta, ele a beija, na boca. ela fica parada, imóvel. todos voltam a conversar. os dois se olham, ele passa suavemente a mão no rosto dela e se afasta um pouco. ela se levanta, lhe dá um beijo na testa e vai embora. ele a olha, ela caminha e sai, sem olhar pra trás, sem dizer nada, sem dar adeus.

ele só queria alguém, ela não queria nada.

10 de junho de 2008

eu quero o silêncio das línguas cansadas.